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Assunto: Comportamento

Comportamento das crianças: a agressividade

01/06/2000 - Texto por Dra. Mônica Mlynarz


O que podemos observar no comportamento infantil, sem sombra de dúvida, na fase da pré-escola (de 2 a 4 anos aproximadamente) é que toda criança tem dificuldades para dominar suas emoções. Quando é contrariada, ainda não tem maturidade emocional para se controlar e acaba explodindo: as crianças mais sentidas choram, outras mais agressivas partem para a ação batem, agridem ou mordem. É normal esse descontrole.

Freud, em sua teoria da personalidade, já dizia que, ao nascer , o homem tem apenas a primeira estrutura, o Id, que representa os instintos. Nos primeiros anos de vida precisamos ser atendidos imediatamente em nossas necessidades; se o bebê tem fome ele se põe a chorar; se está com frio, molhado ou com sono, não demora a demonstrar seu desconforto. Ele não sabe esperar, definitivamente não consegue esperar.

Pouco a pouco vai se formando a segunda estrutura, o Ego. Uma de suas funções mais importantes é desenvolver no indivíduo a capacidade de suportar as frustrações, os desejos não atendidos ou adiados. Quanto maior for a tolerância à frustração, mais o indivíduo cresce, mais ele se fortalece.

Experiência social e agressão

Os estudos e pesquisas em Psicologia têm se aprofundado nos fatores sociais e interpessoais que afetam a tendência da criança a se comportar agressivamente. As formas e graus da agressão dependem de muitos fatores, tais como:

  • Intensidade de seu sentimento de raiva;

  • O grau de frustração ambiental a que foi submetida;

  • Os reforços que recebe pelo seu comportamento agressivo;

  • A sua observação e imitação de modelos agressivos;

  • O nível de ansiedade e culpa associado à expressão da agressão.

Há evidências suficientes de que a agressão é uma reação predominante, senão inevitável, à frustração. Em escolas maternais, a frequência de conflitos entre as crianças aumenta quando a área para atividades lúdicas é limitada e, consequentemente, as crianças experimentam mais interferências e frustrações.

As crianças diferem muito quanto as suas apreciações de quão frustrante é uma determinada "interferência"; por exemplo: uma criança extremamente dependente poderá ficar muito frustrada e agressiva por causa de uma breve ausência da mãe, o que pode representar para uma outra criança, mais independente, uma privação suportável. No entanto, a criança mais independente poderá se sentir muito mais frustrada e passar a agredir o amigo pelo fato desse amigo ter assumido a liderança de uma brincadeira no recreio.

Permissividade diante da agressão

As crianças pequenas enfrentam muitas situações que parecem ser frustrantes do ponto de vista de um adulto, que pode se enganar e tirar conclusões precipitadas. Exemplo: muitas vezes já deparamos com o fato de nossos filhos se machucarem, e qual não foi nossa surpresa ao ver os pequenos se levantarem e continuarem a brincadeira sem choros. Já experimentamos como pais a grande decepção diante do fato de vermos nossos próprios filhos na porta da escola se despedirem sem as manifestações de choro já imaginadas por nós.

Os efeitos da permissividade perante a agressão (permitir à criança a expressão aberta e livre da agressão) são comparáveis aos efeitos de uma recompensa direta. Assim sendo, é muito comum encontrar pais que, por receio de que seus filhos se tornem crianças muito passivas, estimulam e reforçam positivamente os atos agressivos: "Muito bem, meu filho, isso mesmo, bate nele e mostra que você é macho", ou "Sempre que alguém lhe bater, você tem que bater nele, certo, meu filho?"

Como agir quando a agressão acontece?

Durante o período pré-escolar os pais controlam muitas das experiências de frustração e gratificação da criança determinando se ela será premiada ou castigada por comportamentos agressivos e servindo como modelo para imitação; essa é uma situação muito delicada, pois sabemos que um pai que emprega punição física para inibir comportamentos agressivos dos filhos também está servindo como modelo agressivo, demonstrando à criança o poder e a utilidade potencial da agressão.

Mesmo sabendo que nosso filho pequeno ainda não consegue dominar suas emoções, não devemos deixar que ele nos bata, chute ou agrida os outros. De modo nenhum.

Eles podem ter suas emoções ainda não dominadas, mas são muito capazes de entender os limites que lhes são colocados. A ação segura e firme porém carinhosa dos pais ajuda a criança a estruturar seu ego de forma mais rápida. Entretanto, por ignorar esse fato, muitos pais, ao verem seus filhos chorar e espernear por não tolerar alguma contrariedade, entre orgulhosos e assustados dizem: "Esse nosso filho tem muita personalidade". A cada vez que situações como essas acontecem, a criança aprende que funciona gritar, espernear e chutar para conseguir o que quer, e acaba repetindo esse comportamento. É por isso que vemos hoje em dia filhos batendo, beliscando, empurrando e puxando os pais quando não são atendidos imediatamente ou se contrariados em alguma coisa. São crianças que permanecem imaturas , instintivas e imediatistas. Compreender que a criança está com raiva é uma coisa, permitir que ela nos agrida ou agrida os outros é algo muito diferente.

Dicas e sugestões que podem ajudar no controle da agressividade das crianças:

  • Se a criança insistir em nos machucar, deveremos segurar a sua maõzinha e dizermos bem sérios: "Isso não é bonito, você não pode me bater"

  • Às vezes, deixar de fazer algo que a criança goste muito também funciona no controle da agressividade da criança; por exemplo, devemos dizer que estamos tristes porque nosso filhinho agiu mal e que por isso não vamos mais brincar hoje ou descer para o playground. Ele irá compreendendo que cada ação provoca uma reação, que poderá ser de aprovação ou de restrição.

  • Muitas vezes pudemos constatar que ignorar a agressão e recompensar os comportamentos cooperativos e pacíficos através de atenção e elogios poderá ser de grande eficácia.

  • Dizer para a criança que nós entendemos que ela está sentindo raiva e que nós sabemos o porquê poderá ajudá-la muito no sentido de que sentir raiva não é um sentimento negativo , feio ou ruim, mas que deve ser controlado e não escondido.

  • Finalmente, seria muito importante assegurar-se de que a criança não entenda a necessidade de frustrá-la, como falta de amor por ela. São duas coisas completamente diferentes.

Queridos pais, não se preocupem demais: vocês só estarão fazendo bem ao seu filho. Ele precisa de limites e um dia seguramente lhes agradecerá por isso.

Dra. Mônica Mlynarz

Publicação:
Junho 2000 - Edição: 05

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