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Assunto: Educação e cultura

Qual é o papel da educação infantil?

01/10/2005 - Texto por Daniela Dias

O aumento do número de instituições de educação infantil, principalmente nos grandes centros do País, é consequência da vida moderna que introduziu a mulher no mercado de trabalho e promoveu mudanças na estrutura familiar. Para os pais, fica a dúvida se a escola de educação infantil é a melhor opção para a criança. Especialistas afirmam que a escola pode ser decisiva na vida infantil, mas não substitui a importância do convívio constante com a família na formação da criança.

Para saber qual o papel da escola na vida e futuro da criança, é preciso compreender um pouco esse "universo". A educação infantil é a primeira etapa da educação básica. É nessa fase que ela começa a desenvolver suas capacidades físicas, cognitivas, afetiva, estética, ética, de relacionamento interpessoal e de inserção social. O período é tão importante que a Lei de Diretrizes e Bases 9349, promulgada em 1996, garante a toda criança de zero a seis anos o direito à educação infantil e, ao Estado, o dever de promovê-la. 

Para a diretora da escola de educação infantil São Gabriel, a pedagoga Karen Kaufmann Sacchetto, esse é um período muito fértil, e a criança precisa ser conduzida de maneira adequada, para não comprometer sua formação. "A escola é capaz de estimular a formação das crianças em várias áreas e de maneira constante. Para a criança, tudo é brincadeira e, enquanto ela brinca, ela aprende", reforça Karen.

Para a pedagoga, outro fator que torna a educação infantil importante é porque ela serve como alicerce para o conhecimento que a criança vai adquirir durante a vida. Se esse período for frustrante, traumático, pode vir a comprometer o desenvolvimento escolar, social e afetivo. Karen recomenda aos pais procurarem por escolas sérias, que compartilhem de ideais parecidos com os da família. 

"Para pais com perfil mais conservador, é mais indicado matricular seus filhos em escolas de linhas pedagógicas mais tradicionais, para que a criança não venha a ter conflito de valores", diz a pedagoga.

Ingressar na vida escolar desde cedo também favorece as relações sociais. Por volta dos dois anos de idade, os pequenos deixam a fase do egocentrismo. Nesse momento, começam a ter com mais clareza a ideia do outro. Como hoje em dia muitas crianças não têm irmãos, o local para o contato com outras crianças é a escola. Este ambiente propicia envolvimento, ideias de coletividade e de companheirismo.

Para a psicóloga escolar Nanci Cardoso, a escola de educação infantil desempenha um papel importante na formação científica da criança, mas ela não pode substituir o papel da mãe. Nanci, que atua na área há 20 anos, ressalta que o desenvolvimento da criança é natural, e que o aumento das matrículas na pré-escola está muito mais ligado à introdução da mulher no mercado de trabalho do que ao interesse em ver o filho trilhar o caminho escolar desde cedo.

A psicóloga lembra que o contato entre mãe e filho é importante para ambos e alerta sobre o perigo de um desligamento brusco. "Mãe e filho são um só corpo durante nove meses, por isso, o processo de desligamento deve ser moderado e gradual", afirma. Quanto à idade ideal para que a criança seja matriculada na escola, a profissional diz que é necessário respeitar tanto o tempo da mãe como o do pequeno.

Para ela, não há uma regra. "Há crianças que com um ano de vida estão prontas para vivenciar essa experiência, outras não", reforça. Hoje, a discussão mais apropriada não é mais a importância da escola na formação da criança. Isso é um fato. O fundamental é analisar quais motivos a levam para a escola de educação infantil. "Os pais precisam estar cientes de que matricular a criança não os exime dos cuidados, da criação e da transmissão de valores aos filhos", pondera Nanci.

O estímulo que a criança recebe dos pais é importante para que ela desenvolva valores e tenha neles referenciais. A psicóloga comenta que as mães matriculam as crianças desde muito cedo, para poderem trabalhar. "Elas esquecem que o melhor está no contato, no tratamento que a criança recebe, nas experiências que trocam, e não no dinheiro".

Nanci defende a volta da mulher ao mercado de trabalho, mas afirma que essa mulher precisa adaptar-se à nova realidade: adequar horários, agendas e até abrir mão de certas responsabilidades que tomem tempo além do expediente. "A mulher precisa entender que um filho muda toda a rotina e que a perda desse contato pode ser muito prejudicial à criança. Não há como deixar a educação do filho nas mãos de outra pessoa e querer que esse bebê tenha um desenvolvimento saudável".

Para os especialistas, a escola é o ambiente mais indicado para a mãe deixar o filho enquanto trabalha. Mas os pais não podem transferir para a instituição a responsabilidade de formar o pequeno. "É preciso ficar claro que a escola tem importância na vida da criança em vários aspectos, mas que ela não pode substituir o papel de criação. Esse, cabe aos pais", conclui a psicóloga.

Publicação:
Outubro 2005 - Edição: 24

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