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Assunto: Entrevista

Silvia Poppovic grávida e de bem com a vida

01/11/1999 - Texto por Caio Franco

A apresentadora e empresária Silvia Poppovic conta como foi a sua gravidez aos 44 anos.

Alô Bebê - Sua gravidez foi programada ou aconteceu?

Silvia Poppovic - Não foi nem uma coisa nem outra. Ela é o resultado de um tratamento que fiz para engravidar. Fiz o tratamento e tive muita sorte de engravidar em seis meses, pois existem pessoas que levam mais tempo; mas fui atendida por dois grandes especialistas, que são o Dr. Paulo Serafini e o Dr. Eduardo Mota, da Clínica Huntington. Hoje, eles são os maiores craques em matéria de reprodução humana. O Dr. Serafini, imaginem, é um brasileiro e é chefe em Reprodução Humana da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Então, a gente fez esse acompanhamento e, felizmente, consegui engravidar em julho, isto é, estou grávida há quatro meses. E não podia no começo, obviamente, considerar minha gravidez estável, porque você sabe que na minha idade é uma gravidez de risco, risco de abortamento natural, de malformação do bebê, todas essas coisas. Mas, felizmente, tudo correu bem, a gente foi passando todas as etapas e agora já podemos comemorar publicamente essa benção que é poder gerar uma criança.

Alô Bebê - Qual foi sua primeira reação quando soube que estava grávida?

Silvia Poppovic - (Pausa) Foi de profunda felicidade. Foi uma coisa assim, "Será que eu mereço?", "Será que é mesmo?", "Será que vai dar certo?". Quando você faz esse tipo de tratamento, você fica muito preparada, porque estar grávida não significa que você vai ter o bebê. Você tem que saber que cada etapa é uma etapa, sabe? Até agora continuo muito humilde diante das dificuldades que podem acontecer.

Tudo pode acontecer. Então, você tem que estar preparada, mas aos pouquinhos. Desde o começo foi assim: primeiro precisava ver se estava grávida, depois se continuava, depois se o bebê estava com saúde, depois se eu teria saúde, quer dizer, cada momento foi um momento único, mas todos eles configuraram a gravidez. Agora, o momento de maior felicidade para mim foi quando vi a menina no ultrassom, com os bracinhos e as perninhas para cima, aí quase enlouqueci, porque vi que estava lá mesmo. Quando a vi disse para mim mesma "Ela é minha, ninguém tasca, e agora vai viver, não vem não, entendeu?" (risos). Agora vai ter que dar certo! Uma gracinha, jogava os bracinhos para o alto, as perninhas para cima, muito bonitinha.

Alô Bebê - Pretende ter outros filhos?

Silvia Poppovic - Ah, não sei, esse é o primeiro, e já foi aos quarenta e quatro do segundo tempo. Quer dizer, o segundo seria um lucro tremendo. Acho que não, por enquanto estou pensando nesse, para mim esse já é muita coisa. Agora, lógico que se eu tiver uma gravidez que transcorra com naturalidade, de repente é até possível, mas não estou pensando nisso no momento. Estou pensando nesta aqui que, para mim, já é mais do que eu imaginava que fosse conseguir.

Alô Bebê - Ser mãe é um sonho antigo para você?

Silvia Poppovic - Acho que de toda mulher, não é? O sonho da maternidade é uma coisa que você acalenta durante certas épocas e depois se distancia dele, porque você tem outras prioridades na vida. Foi o que aconteceu comigo. Eu priorizei muito minha profissão, minha estabilidade financeira, e todas essas coisas foram acontecendo de uma maneira mais fácil do que a estabilidade na minha vida afetiva.

Tive uma vida afetiva muito atribulada até os 40 anos, quando conheci o Marcello (Marcello Bronstein, médico endocrinologista com quem Silvia mantém um relacionamento de cinco anos - cada um em sua casa), e nós entramos numa relação mais estável. Aí eu achei que cabia pensar nisso, não é? Só que, você sabe, depois dos 40 anos engravidar é mais difícil. Por isso fui procurar um tratamento para poder fazer isso bem acompanhada, monitorada, com toda a segurança.

Alô Bebê - O que você espera da maternidade?

Silvia Poppovic - (Pausa) Espero tudo. É um aprendizado, um privilégio você poder carregar alguém dentro de você, e depois que o bebê nascer vai ser também um aprendizado muito grande, porque os filhos mostram para a gente o tempo todo que a gente tem que ficar na nossa, entendeu? (risos). Quando você acha que vai controlar tudo, eles de repente ensinam que não adianta. Eu, por exemplo, estava crente que era menino, caí do cavalo quando soube que era menina. Você tem que administrar isso - não que seja ruim, é muito bom - mas, sabe, quando você acha que já está controlando tudo, de repente não é nada daquilo, muito pelo contrário, volta tudo.

Quer dizer, isso faz com que você fique flexível, jovem, criativa, faz com que você veja que não é a dona da verdade. O que as crianças trazem é muito rejuvenescedor, sabe? Desde o fato de que você tem que se adaptar ao som de músicas que não está acostumada a ouvir, até você ter que admitir que seu filho não é o que você gostaria, mas ele é o que ele é, é uma coisa diferente da que você imaginava, quer dizer, tudo isso faz você ter uma dimensão de mais respeito pelo outro, e pelas diferenças. Acho que fui sentindo isso na prática. As pessoas arrogantes, quando se tornam pais, geralmente quebram a cara, não é? As pessoas que entendem os filhos como eles são, com as necessidades deles, são pessoas que crescem com essa experiência, e eu pretendo crescer com a maternidade.

Alô Bebê - O que você tem vivenciado nesses quatro meses?

Silvia Poppovic - Muita apreensão no começo, muita felicidade, muito segredo, não podia contar para ninguém, não podia dividir com ninguém, só com as pessoas mais íntimas. E em termos físicos, estou com uma boa barriga, né (risos), uma barriga de quatro meses que minha consultora de moda ajudou a esconder com muita eficiência, mas agora não dá mais, entendeu? (risos) Agora ela está explodindo, não tem mais condição. Então, agora estou adorando poder relaxar e gozar a barriga, entendeu, pôr o barrigão para frente.

Porque até então eu estava usando roupas mais acinturadas, mais apertadas. Mas além da questão do corpo que está mudando há outras pequeninas complicações, você fica com a respiração mais curta, você fica com azia, você tem sono. Enfim, essas fases que toda grávida tem e eu também estou tendo, mas parece que no quarto mês você entra numa euforia danada, não é? Então, estou muito estimulada porque parece que agora a gente vai de vento em popa.

Alô Bebê - Como você resolve suas dúvidas? Somente com o médico?

Silvia Poppovic - Por enquanto sim, porque acabei de permitir que isso se tornasse público. Não podia discutir com ninguém. Não tenho nem roupa nem quarto de bebê, não sei qual é o enxoval básico, não tenho nada; aliás, se vocês puderem me mandar uma sugestão estou aceitando (risos). Estou completamente despreparada para tudo. Estou caindo de paraquedas nesse negócio, entendeu? Primeiro eu queria engravidar; estava tão dissociada daquilo de que um bebê precisa, com tanto medo de perder... Não tinha nada.

O que tenho hoje é uma roupinha que meu irmão trouxe da Austrália na semana passada; minha amiga me deu o primeiro vestidinho ontem, outra amiga mandou o sapatinho vermelho para dar sorte, o Marcello trouxe um coelho de um congresso onde ele estava. Quer dizer, temos umas coisinhas de nada. Agora é que a gente vai começar a se dedicar. A Cris está indo para Nova Iorque preparar meu enxoval de grávida, vai aproveitar para comprar uns macacõezinhos também... Agora é que a gente está começando a cair na real. Até então, sinceramente, o importante era conseguir engravidar.

Alô Bebê - Mas você tem se informado, lendo livros, revistas...

Silvia Poppovic -Tenho uns livros americanos em casa que mostram as fases do bebê, sabe? Com uma semana, como ele está, com duas semanas... Eu ficava lendo, textos curtinhos, acompanhando, né? Mas, afinal, eu já fiz tanto programa sobre isso, quer dizer, essa é uma das vantagens de você ser mãe mais velha, você não fica tão sôfrega...

Alô Bebê - Menos ansiosa...

Silvia Poppovic - menos ansiosa, você tem uma maturidade, você não quer controlar o mundo, ficar sabendo tudo, vai devagar, conforme as coisas vão aparecendo. Sabe, não é esse o problema, o problema é que a criança venha com saúde, e que você fique com saúde também, e que dê tudo certo, sabe, não quero ficar controlando tudo, não tenho essa sede de informação. Qualquer coisa eu pergunto, o Marcello é médico, estou bem acompanhada.

Alô Bebê - Você tem feito exercícios ou dieta especial?

Silvia Poppovic - Dieta eu tenho feito, sim. Especialmente uma dieta comendo tudo que preciso comer, né? Estou adorando, até, (risos) porque em outros tempos não podia comer um monte de coisas que, agora, a nutricionista do Marcello falou: "Tem que comer". Então, me alimentei muito bem nesses três meses, com muito equilíbrio. Acho que essa é a razão, inclusive, de eu não ter engordado. Porque comi tudo que sentia vontade de comer, o que precisava e numa quantidade correta.

Então, com relação à alimentação, eu me informei. Com relação a exercício, para dizer a verdade, não tinha vontade de fazer nada, somente agora estou começando a querer fazer. Mas por ser um começo de uma gravidez delicada, você não pode ficar se movimentando muito, você nem tem vontade. Agora é que estou começando a querer encarar uma piscina, alguma coisa para dar umas alongadas, umas esticadas.

Alô Bebê - Algum tipo de curso preparatório?

Silvia Poppovic - Mas para o que você quer que eu me prepare? É engraçado, esse monte de aulas, de coisas. Escuta, a humanidade inteira nasce, é normal (risos). Sabe o que eu acho? O pessoal se estressa demais. Pode sugerir, eu posso até ir fazer um curso... Eu nasci para ser mãe, pego uma criança e troco ela aqui no ato, sou jeitosa, já troquei tanta criança...

Alô Bebê - Mas existem mães que não são tão jeitosas...

Silvia Poppovic - Bom, quem não tem jeito deve procurar ajuda. Eu troco bebê, sou jeitosa, aprendo num minuto, é meu filho, quer dizer, sabe? A gente não deve complicar, deve descomplicar. Acho que mãe e filho têm que ter uma relação carinhosa, fácil, sabe? Ou então uma boa babá, que me ensine o que não sei, e que vai respeitar os nossos hábitos, e tudo bem. Agora, se tiver algum curso importante, você me fala, que eu vou e faço, o que é preciso fazer?

Alô Bebê - Alguns hospitais inclusive ministram esses cursos...

Silvia Poppovic - Mas isso é para quem nunca viu um bebê na frente, né? Já dei tanto primeiro banho nos nenês das minhas amigas, sou jeitosa, pego bem em criança. Por exemplo, a unha do nenê você corta enquanto ele está dormindo. Essas coisas você sabe. Uma mulher de quarenta anos já viveu a vida, sabe das coisas, não tem esse medo. Ou alguém te ensina, ou fala para você, não tem muito mistério.

Esse não é o problema. Quer dizer, quem se embanana para trocar fralda, vai fazer curso já, pelo amor de Deus (risos). Quem fica nervosa ao segurar o bebê, vai pegar muito bebê antes de pegar o próprio, para treinar. Agora, meu medo é assim, o que fazer quando o peito rachar, por exemplo. Já sei que é vitamina E que resolve. Mas, enfim, coisas da parte médica. Ou se o bebê começar a chorar e eu não sei o que é, certamente vou precisar de um bom pediatra, aí sim. Mas, assim, no trato cotidiano, a gente deve descomplicar.

Alô Bebê - Ser mãe hoje é mais fácil?

Silvia Poppovic - É mais seguro, e é possível. Em outros tempos uma mulher de 44 anos já teria morrido na praia. Estou tendo a chance de, no auge da minha maturidade, do meu equilíbrio emocional, num momento em que estou muito bem, poder viver a maternidade. Em outros tempos, se não fosse esse ramo da medicina do qual me beneficiei, de reprodução humana, de fertilidade, simples-mente eu não poderia estar vivendo o que estou vivendo. Em outros tempos não seria possível, não. Primeiro parto, então, nunca, nem pensar. Claro que uma mulher que já teve dez filhos, essa é capaz de levar adiante, mas não é o meu caso.

Alô Bebê - Você está planejando ter um parto normal ou cesariana ?

Silvia Poppovic - Acho que vai ser cesárea, parece que tem que ser cesárea, senão me estropia inteira, não tem necessidade de ser natural. Não sei o que eles vão querer fazer, o que o médico achar que deve ser feito, será feito. Não tenho essa fissura, "não, porque eu quero natural"... Não quero nada, quero que dê tudo certo, sabe, fica essa coisa, "não, porque eu quero sentir as dores, quero fazer no meio do rio", acho tudo isso uma bobagem, coisa antiga. Antes, até, você tinha aquela mulherada toda tendo filho dentro de casa, segurando no cabide, um negócio rudimentar, né? Não é o que eu vou fazer, vou certamente ao melhor hospital, vou me cercar do que precisar, se o médico achar que dá para bancar o parto natural, vamos lá, se ele achar que não, vai ser cesárea, e tudo bem.

Alô Bebê - Você quer programar a vida da sua filha? O que você espera?

Silvia Poppovic - Não, o que é isso? Espero tudo, como todas as mães. Espero que ela seja feliz em primeiro lugar, que eu possa criar um ambiente saudável para ela crescer, espero oferecer a ela todas as possibilidades para ela escolher os caminhos que quiser, e certamente vou respeitar as decisões dela, e pretendo ter essa generosidade, sem deixar de dizer o que penso, sem deixar de dizer aquilo em que acredito. Ninguém planeja, pai e mãe não são donos das vidas dos filhos.

Publicação:
Novembro 1999 - Edição: 02

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