Acabou a licença-maternidade, e agora?

Ser mãe é uma explosão de sentimentos. Nove meses de gestação, o nascimento e a dedicação em tempo integral ao recém-nascido fazem parte deste momento da vida. No caso das mulheres que trabalham, esta atenção exclusiva tem dia para acabar. Passados quatro ou seis meses chega a hora de voltar ao trabalho. Mas, como cortar este “cordão umbilical” sem traumatizar nenhum dos dois lados?

“O processo de ser mãe não é nada fácil”, define a psicóloga e psicanalista Sheila Finger, cofundadora do Instituto Mãe-Pessoa. No começo, a sensação é de encantamento, mas com o passar do tempo e a proximidade do término da licença-maternidade, a situação parece desesperadora.

Isso porque a maioria das mulheres tem dificuldade de delegar e dividir tarefas. Não saber com quem o filho ficará e achar que ninguém é tão capacitado quanto ela para cuidar da criança deixa a mãe ainda mais sensível, por isso algumas mulheres acabam vendo como única saída abandonar o emprego. “O mais difícil era encontrar alguém para cuidar dela. Chorei bastante e resolvi sair do trabalho”, conta Cintia Serrano, mãe da Yasmim Goulart Serrano, hoje com 2 anos e 10 meses.

Mas largar o emprego nem sempre é a solução mais adequada. Uma mulher profissionalmente realizada pode ser uma mãe muito melhor. Evitar a dor da separação é possível se o processo começar meses antes.

Coração preparado

A mãe precisa procurar quem vai cuidar do pequeno cerca de dois meses antes de voltar, para que sejam estabelecidos laços de confiança. De acordo com a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, o afastamento não deve ocorrer do dia para a noite. Converse muito com a pessoa que vai cuidar do bebê. Se preferir uma escolinha, acompanhe alguns meses antes, fique junto com o bebê e acompanhe toda sua adaptação. De início deixe-o por duas horas, depois três, até completar o período normal. “Esse processo prepara o coração da mãe e ensina o bebê que ela vai trabalhar, mas volta”, ensina Rafaela.

Depois de largar o emprego durante o término de sua primeira licença-maternidade, a administradora de empresas Vanessa Azevedo, mãe de Rodrigo Fernandes, 12 anos, e de Brenda Fernandes, 2 anos, decidiu retornar à sua vida profissional, deixando-os com uma babá. “Eles aceitaram bem, mas como o Rodrigo tem um problema de saúde, eu tinha medo de que todo o tratamento feito até ali fosse prejudicado, o que graças a Deus não aconteceu”, recorda Vanessa.

Cintia Serrano lembra que sua segunda volta ao trabalho foi bem mais tranquila, porque a filha ficou com o pai, na própria casa, e ela adequou o trabalho para meio período. “O fato de estar com alguém que minha pequena já conhece é mais seguro. Além disso, a Yasmin está mais independente, se sentir fome ela pede ou vai até o armário e pega uma bolacha”, diz.

Separar para desenvolver

O desmame é um dos pontos que as mães levam em conta antes de voltar ao trabalho. Segundo especialistas, não há uma data específica para que isso aconteça. Há mulheres que negociam horários flexíveis com a empresa para amamentar, e outras que tiram o leite materno e deixam em casa. “Acho que a amamentação tem a ver com o vínculo, a relação entre a mãe e o bebê”, diz Sheila Finger. O desmame deve ser feito de uma forma carinhosa. “A amamentação é a busca do aconchego. A criança precisa saber que independentemente de mamar ou não, o carinho sempre vai existir”, finaliza.

E como o tempo passa rápido, largar o emprego não é o caminho para as mulheres apaixonadas pela profissão, isso porque logo vem a escola. “Faz parte do desenvolvimento humano essa separação. Mães realizadas criam filhos felizes e seguros”, completa. Valorizar o tempo ao lado do pequeno e dedicar-se integralmente a ele quando voltar para casa pode ser bem mais produtivo para ambos os lados.

Para não fazer do término da licença-maternidade um problema:

- Organize a agenda para almoçar em casa ou chegar mais cedo sempre que puder;

- Confie plenamente na pessoa que está cuidando do seu bebê. Seja a avó, a tia, o berçário ou a babá. Quando achar conveniente, diga a elas o que gostaria que fizessem;

- Ligue quantas vezes tiver vontade para saber como o seu filho está;

- Converse com amigas que já passaram por esta situação. A troca de experiências ensina e conforta as mamães;

- Evite sentir culpa e acredite que trabalhando você vai proporcionar ótimas e melhores oportunidades
para seus filhos.