Ana Moser e seu amor pelas crianças

Ao anunciar sua decisão de deixar as quadras após uma carreira vitoriosa, a superatleta do vôlei Ana Moser divulgou também seus novos projetos: "Vôlei nas Escolas" e "Centro de Recuperação de Atletas Profissionais". Nesta entrevista exclusiva, Ana Moser fala de suas conquistas, da nova fase, de seus sonhos e planos, da infância passada em Blumenau (onde nasceu em 14 de agosto de 1968) e de seu relacionamento com os fãs, especialmente as crianças.

Alô Bebê - Ana Moser por Ana Moser:

Tudo o que consegui até hoje foi pelo trabalho, foi construído. Calhou de ser no esporte, no voleibol, mas acho que teria a mesma garra em qualquer atividade que me cativasse, que me estimulasse. Sou tímida, não ligo muito para a notoriedade, preferiria não ser reconhecida, mas trato com carinho as pessoas que me abordam, principalmente as crianças. Faço tudo que me faça feliz, procuro ir sempre de acordo com os meus ideais.

Alô Bebê - A vida de uma atleta é muito sacrificada? Se você pudesse mudar algo que tenha vivido nesses anos todos como atleta profissional, o que seria?

Ana Moser - Existem sacrifícios na vida de atleta, mas existem muitas coisas boas também. Na verdade, qualquer profissão tem seu lado bom e seu lado ruim. Não mudaria muita coisa na minha vida de atleta, não tenho muito do que me arrepender. Uma coisa que eu gostaria é de poder ter tido desde o início da minha carreira toda a orientação de trabalhos corporais que tive nos últimos anos. Mas isso é uma coisa meio impossível, porque a experiência e o autoconhecimento vêm somente com o tempo.

Alô Bebê - Quais são seus planos na vida pessoal? Pretende casar-se, ter filhos? Se pretende, que tipo de mãe deseja ser?

Ana Moser - Pretendo ter filhos, e acho que serei uma mãe bem legal. Não sou muito de exagerar no mimo, mas faço qualquer coisa por quem eu amo; me relaciono de igual para igual com as crianças e sempre me divirto brincando com elas.

Alô Bebê - Que tipo de educação recebeu dos pais? Conservadora ou liberal? Mudaria alguma coisa?

Ana Moser - Conservadora, mas muito justa, com disciplina, mas tanto eu quanto meus irmãos sempre tivemos liberdade para escolher os nossos caminhos. Eles sempre nos apoiaram. Acho que serei muito parecida com eles quando for educar meus filhos, é mais uma questão de atualizar os conceitos, já que hoje em dia muitos dos tabus que tínhamos naquela época não existem mais.

Alô Bebê - Tem sobrinhos? Qual é o seu relacionamento com eles?

Ana Moser - Não tenho sobrinhos, mas tenho primos pequenos e filhos de amigos. É engraçado porque as crianças me veem na TV e ficam constrangidas quando me encontram pessoalmente. É como se eu fosse de outro mundo, do mundo da TV, e elas demoram um tempo para se soltar comigo. Nas aulas do meu projeto de voleibol escolar, faço a maior festa com os alunos, que vão dos 7 aos 12 anos. O nosso nível de comunicação é superbom.

Alô Bebê - Suas melhores lembranças da infância são...

Ana Moser - A vida numa cidade do interior, onde sobrava muito tempo para brincar, andar de bicicleta, skate, patins. Passava dois meses na praia de férias e aprontava mil e umas. Não passava um dia nas férias em que não estivesse com curativo por algum machucado das minhas aventuras.

Alô Bebê  - Você acredita que a criança deve praticar esportes desde cedo?

Ana Moser - A vida esportiva é muito importante na formação completa das crianças. Além da formação motora e física, o esporte socializa e integra os alunos. Eu costumo dizer que o esporte é um laboratório da vida em sociedade, porque no esporte você aprende valores que reforçam a nossa posição perante os mais diversos desafios do dia a dia. A disciplina, saber compartilhar, respeitar as regras, superar limites, aprender a ganhar e aprender a perder. Falo isso por experiência própria. Quanto mais cedo a criança tiver contato com o esporte, melhor. A diferença é que o esporte na infância, e mesmo na adolescência, deve ser encarado de maneira mais lúdica, não visando somente a competição, o rendimento. Os princípios básicos do esporte são mexer o corpo e se divertir.

Alô Bebê - O que fez com que você se tornasse uma atleta vitoriosa?

Ana Moser - Tenho um biotipo privilegiado, sempre treinei muito - mesmo porque nunca fui naturalmente habilidosa - aproveitei as oportunidades e sempre fiz tudo com muita dedicação e amor.

Alô Bebê - Quem gosta de animais, como você, com certeza adora crianças. Como é seu relacionamento com elas? Você é daquele tipo que não pode ver uma criança que vai logo beijando, ou faz um tipo mais comedido, que procura primeiro conquistar a confiança dela?

Ana Moser - Procuro tratar a criança de igual para igual. Não que vá fazendo brincadeiras que elas não possam acompanhar ou exigindo atitudes adultas, mas procuro tratá-las com o respeito que merecem e espero que elas fiquem à vontade para que eu possa entrar no mundo delas.

Alô Bebê - Quais são seus ídolos? No esporte, nas artes, na vida?

Ana Moser - Tenho vários ídolos, alguns famosos e outros nem tanto. Procuro observar bastante as pessoas e me inspirar no que elas têm de melhor. Se eu fosse começar a citar as pessoas que me inspiraram, não acabaria tão cedo.

Alô Bebê - Deixar o vôlei é um sinal de que sua vida pessoal será seu principal interesse de agora em diante?

Ana Moser - Deixar o vôlei quer dizer que eu encerrei esta fase da minha vida. Nunca deixei a vida pessoal de lado, mesmo com a agenda apertada que eu tinha quando jogava. Não sei como vai ser a minha vida daqui para a frente, mas tenho certeza de que continuarei fazendo tudo o que me faça feliz.

Alô Bebê - Como pretende defender a saúde do atleta? Esse centro contemplará apenas o aspecto físico da questão?

Ana Moser -Se a sua pergunta é a respeito de uma apoio psicológico ou ocupacional ao atleta, por exemplo, esse é um ponto que está em um segundo plano no momento. O primeiro e mais importante objetivo desse Centro de Recuperação e Prevenção de Lesões é oferecer tudo o que de melhor exista em atividades físicas. Seja para atletas de alto nível, ou pessoas sedentárias e atletas de final de semana. É um projeto amplo que não tem paralelos no Brasil.

Alô Bebê - Se você fosse citar alguma de suas companheiras de seleção como exemplo a ser seguido, quem seria e por quê?

Ana Moser - Cada uma delas tem uma história bonita, de esforço, luta e superação. Tenho orgulho por ter podido conviver com todas elas.