Atividades físicas para as crianças

No mundo moderno, é difícil encontrar uma criança que troque o videogame por uma atividade ao ar livre. Praticar esportes, no entanto, tem inúmeras vantagens. Pesquisadores da Universidade de Ciências da Saúde da Geórgia, nos Estados Unidos, acompanharam por 13 semanas consecutivas mais de 200 crianças – de 7 a 11 anos – com sobrepeso e hábitos sedentários. Os especialistas apontaram que a prática de atividades físicas, realizadas de 20 a 40 minutos, diminui as chances de desenvolver problemas como depressão e ainda elevam a autoestima.

A introdução do esporte na rotina das crianças parte geralmente dos pais. Eles precisam estimular e apresentar modalidades que combinem com o perfil do filho. Vale levá-los à praia, brincar na areia e correr no calçadão para admirar a orla carioca. Nesse momento, é importante conversar para encontrar a opção mais interessante. Lembre-se de que o exercício deve ser feito com diversão, por isso não adianta forçá-los a praticar determinada atividade.

De acordo com André Fernandes, professor e presidente do Conselho Regional de Educação Física da 1ª Região (CREF1), a criança não pode sentir que o esporte é uma obrigação. “Os pais precisam encontrar caminhos para não traumatizar os filhos. É como ensinar a importância de escovar os dentes. Eles devem ser duros para incentivar a atividade física, com flexibilidade para adaptar o esporte na rotina dos pequenos”, conta.

Além de melhorar o condicionamento físico, o hábito reflete no caráter e no poder de integração. “Quando a criança cresce com o costume de praticar uma atividade física, ela aprende a ter uma vida mais saudável e melhora a aprendizagem motora e a capacidade de reter informação”, explica Fernandes.

É importante lembrar que a rotina da casa também precisa mudar. Comece oferecendo uma alimentação balanceada, rica em frutas, verduras e legumes, principalmente para crianças acima do peso. E não se esqueça de que os pais são exemplos para os filhos, por isso vale adotar práticas mais saudáveis inclusive aos fins de semana.

Um empurrãozinho para começar

Os pequenos buscam no esporte uma oportunidade de fazer novos amigos e se divertir. O convívio com outras pessoas acalma os ânimos, pois permite a liberação de hormônios como endorfina, dopamina e serotonina, responsáveis pelo bem-estar.

Para Amanda Barreira, educadora física e professora de balé, o esporte vai muito além de cuidar do corpo. Mãe de Giovanna, de cinco anos, ela logo tratou de matricular a pequena na natação e na dança. “Na idade dela, é muito importante estimular o desenvolvimento motor, a afetividade e a socialização. Os esportes são completos nesses aspectos”, acredita.

Ela conta que percebeu a menina mais concentrada e responsável com os compromissos escolares. Giovanna faz os deveres da escola assim que chega em casa, sem cobranças da mãe, e já está pedindo para acrescentar o judô na lista de atividades extracurriculares.

A importância do diálogo

Os interesses variam de pessoa para pessoa, mas a idade também influencia na escolha do esporte. Os mais novos, por exemplo, preferem atividades mais lúdicas. Amanda aproveita para passear ao ar livre com a filha e mostrar as belezas do Rio de Janeiro. “Gostamos de caminhar e andar de bicicleta ou patins na Quinta da Boa Vista e na Lagoa Rodrigo de Freitas”, diz.

Fernandes lembra que é preciso gastar energia para que ela não se acumule e vire gordura. O exercício físico também ajuda na parte psíquica, pois promete um efeito químico que traz prazer e melhora o humor. Por isso que as crianças tendem a ficar mais calmas e dispostas.

O esporte também incentiva a competitividade, mas é importante que ela seja feita de forma saudável. Para evitar frustrações, converse com o pequeno e busque orientações com um educador físico. “A atividade deve ser encarada como um aprendizado e um complemento dos valores transmitidos pela família”, conclui.

Dicas para a criançada praticar atividades físicas no verão

Parquinho: recomendado para crianças de dois a sete anos. Brincadeiras no escorregador e no balanço fazem com que os pequenos aprendam a gostar de mexer o corpo.

Pular corda: sem restrições de idade, melhora o equilíbrio e o condicionamento físico.

Atletismo: a partir dos sete anos, os pequenos podem começar a correr, a saltar e a arremessar. As atividades desenvolvem força, flexibilidade e resistência.

Futebol: paixão nacional, incentiva o trabalho em equipe e intensifica a resistência e a coordenação motora.

Bicicleta: a versão com rodinhas pode ser usada a partir dos três anos de vida até que o pequeno se sinta à vontade para pedalar nos modelos tradicionais. Além de incentivar o equilíbrio, ajuda na capacidade cardiovascular, na força e na resistência.

Natação: praticada por crianças e adolescentes, promove a melhoria dos processos respiratórios, da força, da coordenação motora, da velocidade e das habilidades psicomotoras.