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Guia da Gestante

Este guia explica muitas das coisas que você sempre quis saber sobre gravidez, desde a concepção até depois do parto. Dá algumas dicas sobre alimentação, exames de pré-natal, amamentação, exercícios e crescimento do seu bebê, tudo para você curtir sua gravidez, semana a semana. Lembre-se que este guia é só para seu esclarecimento e seu obstetra deve ser sempre consultado.

Concepção
Tudo começa após a ovulação, na segunda semana depois da menstruação. Um óvulo, que contém o material genético materno, é liberado do ovário e desce pelas trompas para encontrar um espermatozoide, célula sexual masculina que contém o material genético paterno.

As duas células se fundem mais ou menos doze horas após o ato sexual, e o zigoto, como vai ser chamado a partir de agora, desce até o útero, onde se implanta com 72 horas de vida. A partir daí, crescerá uma nova vida. Neste momento, você nem sabe que está grávida pois não há sintomas.

Descobrimento da gravidez
A menstruação não vem no dia programado, você começa a sentir enjoos, tonturas, fraqueza, pode até vomitar. Estes são os primeiros sinais de gravidez. Para confirmar, você vai à farmácia e compra um teste de urina.

Estes testes atualmente são bastante confiáveis para confirmar a gravidez, mesmo não usando a primeira urina do dia (que teria mais concentrações do hormônio beta-HCG, que indica a gravidez). Mesmo positivo, é preciso ir ao ginecologista para que ele peça uma dosagem da quantidade de beta-HCG no sangue para se saber se é uma gravidez saudável.

Aborto
É definido como a perda do bebê até 20 semanas de gravidez. Se você perdeu uma gravidez uma vez, não se assuste nem fique preocupada, não é sinal de que você tem algum problema. Muitas gestações são abortadas pela mãe natureza devido a malformações do bebê. Abortos precisam de investigação quando são frequentes, ou seja, mais de três na mesma mulher.

Abortos mais tardios podem ocorrer por doenças tanto da mãe quanto do bebê. Os sinais de aborto são sangramento e cólicas, às vezes com expulsão de restos. Sangramentos podem ser normais (quando o embrião se fixa no útero podem haver sangramentos), mas pode ser um sinal de aborto. Sempre que tiver um sangramento, mesmo que mínimo, durante qualquer mês da gravidez, procure seu obstetra.

Embrião x Feto
Embrião é como é chamado seu bebê até a 10ª semana de gravidez. A partir deste momento, recebe o nome de feto. Isso porque até a 10ª semana ele já está completamente formado: mãos, pés, coração, outros órgãos, rosto.

Tudo em pequeno tamanho. Agora, o resto do tempo é só para crescer! Por isso, durante os primeiros três meses, evitamos todo tipo de medicamentos e radiação, coisas que podem interferir no desenvolvimento dos órgãos. Depois deste período, certos medicamentos são permitidos, mas ainda são poucos. Consulte sempre seu obstetra.

Crescimento da barriga
Até o 4º ou 5º mês, as pessoas nem vão perceber que você está grávida, pois sua barriga vai crescer muito pouco. Muitas vezes, você percebe só uma pequena barriguinha que não passa do umbigo. A partir daí, só vai crescer, cerca de 1 cm por semana mais ou menos.

O obstetra vai medir em cada consulta o tamanho do útero e comparar com a medida anterior para observar se o crescimento está adequado. O crescimento da barriga é o primeiro parâmetro para se diagnosticar um possível crescimento atrasado do bebê, que será confirmado pelo ultrassom.

Alimentação
A alimentação antes e durante a gravidez influi muito no crescimento do bebê. A necessidade de energias é maior, o que requer que você ingira mais calorias do que uma mulher não grávida. A necessidade calórica aumenta de 2200 kcal para 2500 kcal em média, para uma mulher com peso adequado para sua altura.

O ganho materno médio de peso durante toda a gravidez é de 10 a 12 kg, cerca de 400g por semana a partir do 4º mês. Para mulheres com baixo peso, este ganho é maior: 500g por semana; e menor naquelas com sobrepeso, 300g por semana. Nos primeiros três meses é normal a grávida ganhar pouco ou nenhum peso.

Geralmente, uma dieta adequada fornece os nutrientes na dose certa para a mãe e seu bebê, exceto pelas quantidades de ferro e ácido fólico, que são suplementadas durante a gravidez. Alimente-se várias vezes por dia em pequenas quantidades para evitar enjoos excessivos, o que é comum mas pode impedir uma boa alimentação.

Lembre-se que não se deve fazer regime na gravidez, pois a perda de peso com a queima de gorduras gera substâncias que podem dar malformações no bebê. Para isso, coma sempre a quantia total de calorias recomendada por dia e acompanhe seu peso com o obstetra e/ou nutricionista.

Exercícios Físicos
A prática de exercícios físicos leves está relacionada com bons hábitos durante a gravidez. Não se devem fazer exercícios localizados que exigem trabalho de grupos musculares do abdome. O ideal é que se façam exercícios aeróbicos como caminhada, hidroginástica e ginástica leve com música, sempre com orientação de um profissional de educação física. Os exercícios fazem com que os músculos fiquem fortes para o trabalho de parto, ajudando a ter um parto normal tranquilo e sem complicações no futuro.

Os fisioterapeutas desenvolvem grupos de trabalho onde as gestantes aprendem a trabalhar a respiração, a força muscular para o trabalho de parto e o relaxamento, preparando-se para o nascimento do bebê. Muitas vezes, o esposo participa desses exercícios. Informe-se com seu obstetra sobre esses programas.

Reações do bebê
Converse bastante com seu bebê! Há estudos que provam que ele consegue ouvir o que se fala perto dele e sentir as emoções da mãe. Eles sabem quando são queridos e amados desde antes de nascerem, e reagem a isso ficando mais calmos e crescendo tranquilamente. E eles preferem músicas clássicas e calmas do que as barulhentas (mesmo que depois, na adolescência, se tornem rockeiros...). Por isso, propicie um ambiente calmo dentro de casa, procure não se estressar muito e mostre para seu bebê o quanto ele já é querido!

Contagem da gestação
Para os obstetras, melhor do que falar em meses é falar em semanas. Assim, acompanha-se melhor o crescimento do bebê. A partir da data da última menstruação, a gestação dura 40 semanas em média. Isso porque se contam também as duas semanas até a concepção que não fazem parte da gravidez. Por isso, para você fazer a conversão em meses, diminua 2 semanas e divida por 4. Por exemplo, se você está com 22 semanas, na verdade você está no 5º mês exato (22 - 2 = 20 ÷ 4 = 5).

A partir da 37ª semana, seu bebê deixa de ser prematuro, e você já pode esperar pelo parto a qualquer momento. Se passar de 40 semanas, não se preocupe; ainda pode se esperar mais duas semanas antes de considerar que a gravidez passou da data. Mas nestas duas semanas, você vai ter que fazer exames de três em três dias para se assegurar que está tudo bem com seu bebê.

Ultrassom e pré-natal
O pré-natal é o principal método de evitar doenças da gravidez e permitir um bom crescimento do bebê. Além de deixar todos mais tranquilos. Certos procedimentos são obrigatórios e de direito de gestante, e são eles:

  • Exames de sangue (tipo de sangue, sífilis, hepatites, aids, rubéola, toxoplasmose, glicemia, hemograma e papanicolau), de urina e de fezes;
  • Exames para rastreamento de diabetes na gravidez;
  • Pelo menos seis consultas durante toda a gravidez (para medir barriga, pesar, ver sobre queixas, ouvir coração do bebê, medir pressão arterial da mãe);
  • Pelo menos um ultrassom com 20 semanas (os mais cuidadosos pedem três);
  • Um reforço da vacina contra tétano.

O ultrassom tem finalidades diferentes de acordo com a idade em que é feito. Quando realizado até 20 semanas, é usado para confirmar a idade gestacional, muito importante para que o bebê não nasça prematuro. Com 20 semanas, é feito o ultrassom morfológico que vê se o bebê tem alguma malformação. O último ultrassom após 30 semanas vê a placenta, o líquido amniótico, o crescimento e estima o peso do bebê.

Hipertensão na gravidez
É a doença que mais mata grávidas no nosso país, infelizmente. O diagnóstico é feito através das medições da pressão arterial da mãe em cada consulta. O ideal é que fique sempre mais baixa que o normal, 110x70 em média. Quando a pressão sobe, o médico faz exames complementares de sangue e urina para confirmar.

Deve-se fazer uma dieta com pouco sal. Remédios podem ser necessários, às vezes até a internação para normalizar a pressão. O perigo da pressão alta é dificultar que o sangue chegue ao bebê, fazendo com que ele não cresça adequadamente. O problema se resolve quando o bebê nasce e a pressão se normaliza. É uma doença só da gravidez. Por isso, o pré-natal é muito importante para sua prevenção.

Diabetes na gravidez
A insulina é o hormônio que controla a glicemia (açúcar no sangue). Na gravidez, ela está aumentada para controlar a necessidade maior de açúcar pelo bebê. Em algumas mulheres, principalmente nas com sobrepeso e nas que tem história de diabetes na família, falta insulina e se desenvolve o diabetes da gravidez. O médico consegue diagnosticar a doença através de um exame chamado teste de tolerância à glicose (TTG).

A mulher com diabetes gestacional precisa fazer dieta, controle de glicose várias vezes ao dia e usar insulina até o final de gravidez. O principal perigo é o bebê nascer grande (com peso maior que o normal) e até morrer dentro do útero. Novamente, o pré-natal entra como indispensável para uma boa gravidez.

Infecções na gravidez
As principais infecções da gravidez são as infecções urinárias e as infecções vaginais. A infecção urinária pode provocar dor para urinar e dor no pé da barriga (parecidas com as dores das contrações). É diagnosticada através de um exame de urina e tratada com antibióticos.

As infecções vaginais dão corrimentos variados e são diagnosticadas pelo médico. São tratadas com cremes vaginais usados à noite. As infecções podem provocar ruptura da bolsa de águas antes do tempo do parto e provocar um parto prematuro. Por isso devem ser tratadas sempre.

O trabalho de parto
A partir de 30 semanas, você vai começar a sentir algumas contrações leves, que não passam de sete ou nove por dia. É o ensaio do útero para o trabalho de parto. Elas vão ficar mais frequentes e intensas conforme vai avançando a gravidez.

As contrações do trabalho de parto se caracterizam por provocarem modificações no colo do útero (fica mais mole e começa a dilatar para o bebê passar). Elas são mais intensas, provocam dores no pé da barriga e nas costas, e são bem frequentes (duas em cada dez minutos).

Quando começar a sentir tais contrações, principalmente se for seu primeiro bebê, fique calma. O trabalho de parto dura em média 10 horas! Por isso, você tem tempo suficiente para preparar sua roupa e a roupinha do bebê antes de ir para o hospital. Além de que relaxar em casa é bem melhor que no hospital e o trabalho de parto fica mais tranquilo e rápido.

O bebê só nasce quando o colo tiver dilatado até 10 cm. A dilatação progride cerca de 1 cm por hora. Por isso é que o processo todo demora. Mas se você já teve um bebê por parto normal antes, o trabalho de parto pode ser bem mais rápido, por isso melhor se apressar.

Caso você tenha perdido líquido em grande quantidade, de escorrer pelas pernas, também procure o hospital. Sua bolsa pode ter rompido e o bebê pode estar por nascer. Outro motivo para procurar o hospital é se seu bebê parou de mexer há mais de 12 horas. A partir da 20ª semana já se podem sentir seus movimentos, e eles se mexem a toda hora! Às vezes, você sente os movimentos mais à noite porque está mais tranquila, o que é normal.

Cesárea x Parto normal
É difícil de responder a pergunta de todas as grávidas: meu parto vai ser normal ou cesárea? Como também é difícil dizer qual é o melhor. O parto normal é como o nome diz, é o mais natural, causa menos dor após o parto e a mãe sai do hospital no dia seguinte. Mas tem o inconveniente das dores das contrações, que algumas mulheres não aceitam. Hoje, fazemos a anestesia precoce para evitar sentir dores por muito tempo.

Muitas mulheres preferem o parto cesárea porque não sentem as dores da contração e podem planejar quando o bebê vai nascer. Isso pode ser muito perigoso, principalmente quando a idade gestacional não é calculada adequadamente e o bebê pode nascer prematuro por causa disso.

Causa mais dor após o parto e maior tempo de internação da mãe, porque afinal não deixa de ser uma cirurgia, que corta estruturas importantes da barriga. O repouso depois da cesárea e o fato de não poder pegar peso por um bom tempo são necessários para evitar hérnias.

Para o bebê, o parto normal é melhor por provocar a expulsão de líquidos do pulmão mais rápida, fazendo com que ele fique no hospital menos tempo. Para uma mãe que quer parto normal, nem assim o médico pode garantir que não seja cesárea, pois pode haver complicações no momento do parto, como falta de dilatação, poucas contrações e falta de oxigênio para o bebê, que indicam uma cesárea rápida. Por isso, nada melhor que esperar o trabalho de parto para ver o que acontece, e ficar tranquila. Pergunte sempre qualquer dúvida ao seu obstetra.

Parto Prematuro
É o parto que ocorre antes de 37 semanas de gravidez. Antes deste período, os pulmões do bebê não estão preparados para respirar e ele pode ter sérios problemas. Quanto mais prematuro, pior. O parto do prematuro pode ocorrer espontaneamente por ter rompido as bolsas de águas antes do tempo por causa de infecções ou por ter sido provocado pelos médicos devido a doenças perigosas da mãe (como a hipertensão). Dependendo do hospital e de seus recursos, o bebê tem grandes chances de não ter problemas mais graves e se adaptar bem. E você deve fazer sua parte prevenindo doenças através do pré-natal.

Puerpério
É o período que vai do momento logo após o parto até 40 dias depois. Neste período, principalmente após o parto, a mulher pode ter sangramentos importantes. Um sangramento em pequena quantidade durante todo este período é normal e é chamado de lóquia.

É a limpeza de todo o útero depois da gravidez. Com o passar dos dias, a lóquia muda de muito avermelhada para mais escura, depois mais clara, até ficar amarelada e parar. É importante você perceber neste período se tem febre, dor ou se a lóquia tem cheiro ruim, pois isso pode indicar infecção e você deve procurar seu obstetra.

O útero vai regredindo de tamanho também até não ficar mais palpável na barriga. Você pode sentir cólicas principalmente enquanto estiver amamentando, porque é liberado um hormônio (a ocitocina) que ajuda na ejeção do leite e na contração do útero (para ele diminuir). Se estiver amamentando, deve tomar os mesmos cuidados em ingerir medicamentos, pois eles podem passar para o leite.

Antigamente, o puerpério era chamado de quarentena, e as mulheres eram proibidas de fazer muitas coisas, inclusive de tomar banho ou manter relações sexuais. Isso hoje não tem mais nenhum fundamento. As relações são permitidas sem problemas. Se você estiver amamentando corretamente, tem uma proteção contra uma nova gravidez.

Informe-se com seu obstetra sobre o método anticoncepcional adicional adequado para você. Outra gravidez enquanto amamenta a primeira é prejudicial por interromper a amamentação e não permitir que seu corpo volte às condições de antes da gravidez.

Amamentação
Todos os bebês são comilões assim mesmo, querem mamar a cada 2 horas. E não é porque seu leite seja fraco, é que o estômago dele é pequeno demais ! Mas saiba que todo o peso que você acumulou durante a gravidez e não perdeu no parto foi para este período de amamentação.

Todo dia você perde 400 calorias amamentando (equivalem a mais de uma hora de aeróbica !). Por isso é que as mulheres que não amamentam tendem a ser obesas. Além disso, a amamentação é a hora de maior contato entre você e seu bebê, o que os aproxima muito mais e permite uma relação mãe-filho prazerosa.

Amamentar é um método contraceptivo quando cada mamada dura em média 20 minutos e você amamenta cada 2 horas. A amamentação libera hormônios que agem semelhante a uma pílula, não deixando você ovular. Inclusive até suspendem suas menstruações.

Embora seja um bom método, não o use isoladamente. Você não pode tomar pílulas durante a amamentação, mas pode tomar as mini-pílulas e injeções que seu obstetra receitar. Assim, a garantia é maior.

Muitas mulheres têm problemas para amamentar devido ao formato das mamas. Para isso, existem exercícios que devem ser feitos durante a gravidez para facilitar a amamentação e evitar a formação de feridas e fissuras. Após cada mamada, lave bem as mamas e esvazie o restante de leite manualmente. Sempre dê inicialmente ao bebê a mama mais cheia. Ao tirar a boca do bebê do peito, coloque a ponta de seu dedo dentro da boquinha do bebê para desfazer o vácuo e evitar feridas. Amamente seu bebê sentado para evitar que ele regurgite.

Depressão Pós-Parto
É uma situação frequente, acontecendo em 13% das mulheres. Têm maior risco as mulheres com história de depressão anteriormente ou de depressão na família. Ocorre devido à grande variação hormonal pela qual a mulher passa depois do parto e também pelo fato de um filho ter grande significado na vida da mulher, provocando grandes mudanças.

A mulher com depressão tem alterações de apetite, insônia ou excesso de sono, agitação ou lentidão, baixa autoestima, fadiga, dificuldade de concentração, ideias de morte e tristeza na maior parte do dia, sensação de incompetência. Às vezes até se negam a cuidar de seu bebê. Caso você apresente mais de três dos sintomas acima, procure um médico que fará o diagnóstico e indicará o tratamento adequado.

Além dessas informações, a Alô Bebê tem um portal com diversas informações para ajudar a futura como mamãe, como dicas de nomes de bebês, da lista de chá de bebê, acompanhamento gravidez semana a semana e muito mais, confira!

Dra. Rosana Seleri Fontes
Ginecologia e Obstetrícia - Acupuntura