Papel do pai também é ser amigo e companheiro

Desde o antigo mito grego de Zeus como símbolo do sistema teológico patriarcal, até os modernos dias atuais, admitimos que nem a mais protetora das mães seria capaz de substituir a função que um pai ocupa na família. 

Até há poucos anos, o pai era o centro do universo familiar: o poderoso chefe da família que com sua autoridade submetia todos os membros ao seu bel-prazer. Dono da poltrona mais confortável, da última palavra, e da forte e pesada mão que silenciava os choros mais desesperados.

Este homem mudou. Hoje ele se transformou em um pai que, por ter sido filho e produto deste autoritarismo, pretende mudar a história que viveu na pele, com direito às consequências nefastas de uma educação castradora. Ele quer fazer diferente do que aprendeu. Quer ser um pai bom.

Bom pai

Ser um bom pai significa estar atento ao filho. Não só às necessidades materiais, físicas ou higiênicas da criança, mas principalmente ao respeitar o futuro homem ou futura mulher em que esta criança se transformará.

O pai que é capaz de suportar os momentos de caos sem usar do famoso tapinha no bumbum, abusando da sua autoridade, mas ao contrário, coloca palavras que trazem um sentido ao sofrimento, este sim merece ser respeitado. Não é pelo contato físico e sim pela palavra que os pais podem se fazer amar com afeto e se fazer respeitar por seus filhos.

Humilhar uma criança é sempre muito cruel, mesmo porque ela já se sente suficientemente humilhada quando compara seu pequeno tamanho à imensidão do corpo do adulto.

Relação de amor entre pai e filho

Nunca estamos preparados para a surpresa que significa um novo ser humano. E de fato, só o nascimento do bebê é capaz de transformar um homem em pai, de amadurecê-lo e dar um novo sentido à sua vida acostumada aos velhos hábitos, de provar que nunca mais será o mesmo, que não terá mais sua mulher unicamente para si e que agora existe uma criança no seu sentimento de liberdade. Porque os bebês são verdadeiramente bebês desde o começo, mas os pais precisam de toda uma evolução para se tornarem pais. 

Uma criança vem ao encontro do desejo de um casal que já é bastante feliz sem filhos, mas que quer evoluir. Um desejo que nasce de uma relação de amor. Quando se imagina um pai, se supõe automaticamente a mãe e o filho. É através destes três personagens que reside o equilíbrio da família, todos cúmplices pelo vínculo genético e pela relação de amor, que mais tarde será transferida para outras pessoas.

Papai e suas funções

O pai não é só aquele que põe a mão no ombro, que senta no chão para brincar junto, que dá explicações sobre as coisas da vida e até as razões de sua ausência, as razões pela qual se age desta ou daquela maneira (os filhos absorvem toda a riqueza da experiência dos pais), mas é quem possui a chave para facilitar a passagem do estado de bebê para o de criança.

O pai é o recurso afetivo da mãe, a qual torna-se o recurso afetivo do filho. É aquele que se comprometeu a ser para a criança um homem sensato que a apoiará em suas dificuldades, porque o ideal de vida de uma criança é visível no adulto em que se transformará.

Se o pai lhe explica o que faz quando não está em casa, se conta para seu filho (mesmo se a criança não pareça compreender) que tem uma atividade profissional, cabe à mãe quando o pai não está, fazer com que os filhos se lembrem do pai que está trabalhando e pensa neles, que logo vai voltar. Quando o pai está ausente, o importante para todos os filhos, qualquer que seja a idade, é manter a ideia de sua presença e confiança nele.

O pai junto com a mãe será responsável pelos meios a serem tomados para ajudar a criança a superar suas dificuldades. Seria impossível abranger os milhões de problemas encontrados na criação dos filhos. Interessante é notar que a grande maioria da literatura sobre a educação de crianças fala sobre a importância do papel da mãe no desenvolvimento do filho, e muito pouco sobre a importância do pai. Como se sabe, hoje em dia, as consequências das carências paternas são tão graves quanto às maternas. A função que o pai ocupa na família é vital para a saúde mental da criança, estando o casal em harmonia ou não, casados ou separados. Vale lembrar que o relacionamento entre os pais é sempre um modelo de comportamento para seus filhos.

Os pais são fundamentais

Ainda dentro do útero, quando a criança estava misturada à vida da mãe, ela já ouvia a voz de seu pai. Principalmente no final, ela escutava tudo. Quando uma mãe diz a seu filho de dois ou três anos de idade, que estava dentro de sua barriga mesmo antes de nascer, geralmente esquece de dizer que ele só estava lá porque seu pai também desejou seu nascimento. Se ela teve a alegria de pôr seu filho no mundo e de amá-lo, ela deve esta alegria ao homem que a tornou mãe.

As crianças precisam ter uma vida própria com seus amigos, ter pais que lhes dão segurança, que conversam entre si, convivem com amigos de sua idade. Pais com quem elas possam se identificar para crescer.

Criar filhos é mais arte do que ciência. Quando um modelo de pai está solidamente construído no coração, será muito fácil tornar-se tão bom quanto ele, educando os jovens da forma que gostaria de ter sido educado, para um dia então, receber uma feliz surpresa: a honra de ser pai.

Dra. Evelyn Pryzant
Psicóloga Clínica