Problemas de pele em bebês


 

Quando o assunto é pele, algumas pequenas alterações podem aparecer nos primeiros meses de vida e angustiar os pais, mas calma, antes de mais nada, é preciso reforçar a ideia de que as dúvidas só podem ser esclarecidas por um profissional habilitado - isto é, o dermatologista ou o pediatra.

A automedicação deve ser evitada sempre, especialmente quando se trata de bebês de colo, muito mais sensíveis as pomadas, loções etc. Por quê? Façamos uma comparação: se você pingar uma gota de tinta num pedacinho de papel, ela provavelmente recobrirá todo o espaço deste; se fizer o mesmo num guardanapo inteiro, ela não se espalhará e ficará naquele local onde foi pingada. Assim, o bebê (o pedacinho de papel) absorve muito mais os líquidos que lhe aplicamos do que um adulto (o guardanapo).

Por isso, todo cuidado é pouco ao lidarmos com os pequenos! Nunca - mas nunca mesmo - aplique neles remédios que tenham sido receitados para adultos. Em Dermatologia, o diagnóstico é essencialmente clínico.

Assim, o mau uso de medicamentos não somente pode dificultar a identificação de uma doença como, até mesmo, agravá-la, dependendo, é claro, do tipo de lesão. Entre as alterações temporárias na pele pelas quais um recém-nascido pode passar, destacamos algumas por serem as mais comuns:

Pele do bebê - substância caseosa:

É uma camada (como se fosse um verniz) que recobre a pele do bebê e que, apesar de sua aparência, não deve ser removida à força, pois tem uma função bactericida que protege a epiderme. À medida que se vai banhando a criança, a substância vai se desprendendo.

Pele do bebê - lanugem:

Bebês que nascem muito peludinhos (rosto, tronco, costas) perdem esses pelos de maneira natural, sem que seja necessária intervenção médica.

Descamação:

Nos primeiros dias de vida, é normal que a pele do bebê descame um pouco. Isto, além de melhorar aos poucos e naturalmente, é fisiológico e, portanto, não se trata de dermatite.

Pele do bebê - icterícia fisiológica:

É a criança que fica amarelinha depois de chegar em casa (os médicos, claro, não permitem que o recém-nascido deixe o hospital caso esteja com algum problema). Como as anteriores, não reclama nenhum tratamento especial; porém, se não desaparecer em poucos dias, é recomendável consultar o médico.

Cútis marmorata:

Uma espécie de rendilhado na pele do bebê (que surge, em geral, nos dias mais frios), reação vasomotora considerada normal.

Pele do bebê - hiperplasia sebácea:

As pápulas são umas bolinhas que aparecem no narizinho da criança e desaparecem rapidamente.

Hiperpigmentação dos genitais:

Órgãos sexuais muito escuros: também desaparece à medida que o tempo avança.

Pele do bebê - hemangioma:

Alteração vascular (pintas) que, dependendo do tipo, some ou não com a idade. O hemangioma tuberoso, apesar de sua má aparência, some por si mesmo.

Dermatite seborreica:

A caspinha na cabeça é geralmente leve, mas pode evoluir e aparecer em outras partes do corpo da criança. Apesar de não ser fisiológica nem natural, é muito comum e desaparece com o tempo. Na dúvida, lembremos mais uma vez: consulte o pediatra ou dermatologista.

Conselhos gerais

Sabemos que o clima às vezes costuma nos pregar peças. É comum dizermos que, num mesmo dia, podemos ter as quatro estações, com temperaturas que variam muito. Embora algo exagerada, essa afirmação não deixa de ter um fundo de verdade. E a verdade, mesmo, é que isso pode levar mamães desavisadas a agasalhar seus bebês de maneira errada.

Como, vestindo-os com uma camiseta de mangas curtas e, sobre esta, uma blusa de lã. Se a temperatura subir, a lã poderá provocar alergias e até brotoejas (sim, elas mesmas, mais comuns no calor) na pele do bebê. Portanto, o certo é agasalhá-lo usando, por exemplo, uma camiseta de manga longa, um macaquinho, uma blusa, um casacão ou jaqueta. Assim, à medida que a temperatura variar, pode-se retirar ou colocar uma dessas peças.

Impossível falarmos de clima sem nos lembrarmos do Sol, essa maravilhosa fonte de energia. Mas para que a mamãe e o bebê convivam pacificamente com ele, são necessários alguns cuidados especiais para proteger a pele do bebê. Um banho de sol normal deverá durar de quinze a vinte minutos, e jamais ultrapassar o horário das nove da manhã.

De vez em quando, é possível continuar com a criança na praia além desse horário, mas é preciso protegê-la com filtro solar e deixá-la sob um guarda-sol. À medida que a criança cresce, vai se tornando mais difícil controlar sua vontade de brincar na praia - a água e a areia são grandes atrativos para ela.

Mas uma dica prática pode ajudar os pais: sabendo-se que o horário entre 10 e 15 horas é o mais perigoso, é aconselhável, durante esse período, levá-la para almoçar em casa e distraí-la com a TV até que seja possível voltar - sem nunca esquecer o filtro solar.

Pele do bebê: a higiene

Trocar várias vezes as fraldas é muito importante. Limpe o bebê sempre com água corrente (de preferência morna). É claro que, numa emergência (a mamãe está com muita pressa ou em local onde não exista água), os lencinhos podem e devem ser utilizados, mas o ideal é habituar-se a levar consigo uma garrafa térmica com água e chumaços de algodão. Após limpá-lo, assegure-se de que nenhum resíduo de fezes ou urina continue em contato com a pele do bebê, pois isso pode gerar irritações e alergias.

Pele do bebê: a alimentação

Não existem alimentos específicos que melhorem o aspecto da pele do bebê. Para ela, o melhor é a alimentação normal, orientada pelo pediatra. Para os recém-nascidos, o aleitamento materno até os 6 meses é fundamental. Uma vez que a criança ganhe peso normalmente, não apresente anemia, enfim, desenvolva-se naturalmente e apresente uma boa saúde geral, isto aparecerá na pele.

Mitos sobre a pele do bebê

Não tem o menor fundamento acreditar que crianças maiores que sofrem de manchas na pele têm vermes. Geralmente, essas manchas são uma tendência dela mesma e podem piorar com o excesso de sol (que causa ressecamento na pele), banhos demorados, etc.

Outra conversa de comadre é dar banho de picão quando a criança estiver com icterícia fisiológica. Somente o médico pode determinar se a icterícia é fisiológica ou não e qual seu tratamento. No tema "Cuidados com o coto umbilical", por favor, esqueça os métodos "de ouvido" de vizinhas e parentes.

O coto cai naturalmente; não é preciso forçá-lo, e essas receitas caseiras, além de nada resolverem, podem causar infecções no umbigo. Em vez disso, limpe-o normalmente, usando uma haste flexível seca para remover a umidade localizada dentro e em volta, pois o aumento de líquido pode transformá-lo numa fonte de infecções. Depois de lavar e secar bem, desinfete-o com álcool a 90º e pronto. Qualquer alteração ou má aparência, procure o médico, pois é melhor consultá-lo mais vezes por excesso de cuidado do que deixar que uma possível doença avance.

Não passe nada no bebê sem orientação médica, até porque muitos são alérgicos a mertiolate ou mercúrio. Afinal, é um bebê, e sua grande sensibilidade aos líquidos (lembram-se da comparação?) pode trazer-lhe problemas sistêmicos muito mais difíceis de resolver. Outras doenças como a dermatite atópica (alérgica) podem ser leves ou graves, mas quase nunca aparecem antes dos 6 meses de idade.

Concluindo

Assim como as roupas que vestimos no bebê devem ser apropriadas à temperatura ambiente, o remédio deve ser apropriado ao doente, e nunca o contrário. Insistimos nisso (condenar a automedicação) porque, infelizmente, é mais comum do que se imagina acontecerem casos graves provocados pelo mau uso de remédios.

Assim, não se automedique nem a seu filho; siga os conselhos de bons profissionais, e claro, reserve ao seu pequeno todo amor e carinho que puder lhe dar. Assim, a química entre vocês, esse papo de pele, como dizem os jovens, funcionará sempre, e lhes trará alegria e saúde duradouras!

Consultoria Drª Claudia R. S. Di Giaimo