Quem vai assistir ao parto?

 

Na verdade, se puderem escolher, na maioria das vezes elas optam pela presença do pai do bebê ou por companhias femininas.

Independente de quem seja, assistir ao parto é um direito garantido por lei e, muitas maternidades, públicas ou privadas, nem sempre respeitam as normas.

A lei estadual, em vigor desde o início do ano 2000 em São Paulo, garante à gestante o direito à presença do pai nos exames pré-natais e para assistir ao parto. Mesmo o direito reservado aos pais ainda não é respeitado na maioria das maternidades.

Em maio deste ano a Rede pela Humanização do Nascimento - Rehuna, com o apoio da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, lançou uma campanha nacional pelo acompanhante no parto. Desde meados da década de 80 as Nações Unidas vêm recomendando a presença durante o parto de um acompanhante escolhido pela mãe.

Esse valioso "suporte emocional" reduz o número de cesáreas, o tempo do parto e até a quantidade de anestésicos ministradas à mamãe.

A Rehuna tem notícias de gestantes que permaneceram horas a fio em trabalho de parto, abandonadas em corredores de hospitais ou mesmo recebendo maus tratos ou humilhações por parte de profissionais da saúde. Nesse sentido, a campanha desenvolvida pelo órgão tem o apoio da Rede Feminista de Saúde, da União dos Movimentos Populares de São Paulo e dos conselhos de Saúde setoriais e regionais.

A campanha, de dimensão nacional, tem dois campos de atuação previamente delimitados.

O primeiro objetivo é fazer com que a lei de assistir parto seja vista como um direito da mulher de escolher seu acompanhante, independentemente de ser pai ou não. A outra ação é fazer valer o direito desse acompanhante, mesmo nos estados onde ainda não haja lei. A campanha incentiva o exercício desse direito e a denúncia ao Ministério Público, caso ele não seja respeitado.

No aconchego do quarto


No meio de toda essa discussão, existem grupos que propõem a realização do parto, no próprio quarto onde a gestante esteve no momento em que chegou à maternidade. Em São Paulo, o Grupo de Estudos Partejar vem defendendo essa tese. Para o Partejar, a prática também reduz sensivelmente o número de cesáreas.

A Rehuna também se manifesta sobre o assunto. De acordo com a entidade, essa já é uma prática comum no Japão, onde as mulheres permanecem na "casa de parto" por uma semana após darem à luz, junto à família.

Dicas para o papai

  • Participe da escolha da equipe de saúde, que irá conduzir a mamãe no período da gestação e no parto.
  • Acompanhe sua mulher em todas as consultas e exames possíveis.
  • Matricule-se num curso de preparação para "casais grávidos".
  • Informe-se sobre o assunto e cuide da alimentação da futura mamãe. Ajude a fazer as malas dela.

 No parto

  • Mantenha-se calmo e controle as contrações da mamãe.
  • Leve-a para a maternidade sozinho.
  • Fique na sala de parto (com as devidas recomendações médicas).
  • Corte o cordão umbilical, orientado por um especialista.
  • Fique junto de seu bebê e dê o primeiro banho nele.
  • Limite as visitas e passe a noite na maternidade (com assessoria da enfermagem).