Sexualidade infantil - fases e características

Antes de qualquer inquietação, é necessário entender que, se para o adulto erotização, preconceito e desejos fazem parte da sexualidade, para a criança estão mais ligados a conhecimento, descoberta e curiosidade. Não há malícia. 

Segundo Sigmund Freud, sexualidade e infância são assuntos interligados. Já na Fase Oral, que vai dos primeiros meses aos 2 anos de idade, a criança concentra seu prazer na região bucal. E a hora da mamada é um momento de alimentação e prazer.

A higiene íntima também pode proporcionar sensações agradáveis. Para Melaine Klein, discípula de Freud, a sexualidade infantil desenvolve-se desde quando mãe e bebê se tocam, despertando prazeres mútuos. Este período é único e delicado, e possíveis problemas podem trazer futuras complicações no comportamento sexual da criança. 

Entre 2 e 3 anos de idade, vive-se a Fase Anal. Nessa hora ocorre aquilo que chamamos de "desfraldamento", quando há o contato real e visual com suas produções fisiológicas e o controle dos esfíncteres (músculos anulares que, por contração ou relaxamento, regulam o trânsito de órgãos como bexiga e intestino). Esta etapa da sexualidade infantil também requer atenção, pois um "desfralde" complicado pode gerar insegurança e "rejeição" ao próprio corpo. Já estive com crianças que, aos 9 anos, ainda requeriam a presença da mãe para realizar sua higiene, consequência de uma Fase Anal mal trabalhada. 

Dos 4 aos 6 anos, com relação a sexualidade infantil, a criança vive a Fase Fálica, em que ocorrem as maiores explorações e descobertas a respeito de seus órgãos sexuais. Nesse momento, eles também percebem a diferença entre o corpo feminino e masculino de maneira mais evidente, e há mais interesse no corpo do outro. A masturbação é recorrente, mas nessa fase a criança não tem consciência nem malícia no ato que se resume em um gesto gostoso, que faz bem ou serve como instrumento antiestresse. Ela alivia tensões decorrentes de alterações da rotina ou ajuda a "descarregar" as emoções. Por isso, os pais não devem ridicularizar, proibir ou cercear este movimento. Dessa forma, podem bloquear o contato da criança com o próprio corpo.

 

 

A partir dos 7 anos, a criança vive a Fase de Latência, que antecede a puberdade e na qual ocorre a preparação psíquica para mudanças que virão. Nesse momento, o intelecto tem destaque na vida da criança, pois as habilidades aparecem e as cobranças da família também. Dessa forma, é natural que não haja muito espaço para que o pré-adolescente viva sua sexualidade. Os pais podem auxiliar conversando sobre as mudanças do corpo e até incentivando a "vaidade" em doses homeopáticas.

Atualmente, há crianças com idade em torno dos 11 anos cujo desenvolvimento corporal é avançado, e os pais precisam estar preparados para introduzir o diálogo a respeito de temas como camisinha, gravidez e drogas. Além de "preparar o terreno", essa atitude aproxima pais e filhos.

Adultos ou crianças, somos todos humanos, e esta condição nos faz sentir, desejar e querer. Por isso, para não serem pegos de surpresa com as perguntas e atitudes dos filhos, os pais precisam se informar, ler. Em caso de dúvida, vale buscar orientação profissional e trabalhar as inseguranças diante do tema.

Se nossas casas são invadidas por cenas picantes em qualquer horário e nossos e-mails recebem mensagens maliciosas, precisamos estar preparados para responder aos questionamentos das crianças. Lembre-se: a criança que pergunta está pronta para a resposta, desde que a explicação seja adequada para sua idade. Não delegue a outro o direito de responder e dialogar com seu filho. Olhe bem nos olhos da criança e responda com franqueza, conquiste sua confiança e garanta a formação de adultos mais seguros.

*Valesca Souza
Psicóloga Clínica - Especialista em Neuropsicologia